Imagine que você recebe uma boa oferta de emprego, mas ao encontrar o empregador em um local combinado, ele te sequestra. A partir disso seu corpo é explorado e usado como um produto. O uso de drogas se torna algo corriqueiro, e parece ser a única coisa que torna essa realidade suportável. Você acaba perdendo sua identidade e se perde no seu propósito de vida. É sobre isso que a música Alice, da banda Palankin, fala.

Na história de Alice no país das maravilhas, a garota segue um coelho e acaba indo parar em outra realidade, que dialoga com o fantástico e a loucura. Muitas pessoas, em sua grande maioria mulheres, tentam seguir propostas de uma vida melhor e acabam encontrando um mundo mais cruel do que se possa imaginar.

Na música Alice a banda Palankin tenta abordar um conforto para alguém que passou pela situação de tráfico humano. O clipe que companha a música apresenta uma história que envolve o mesmo tema. A primeira parte da letra afirma que Alice não precisa mais usar seu vestido vermelho, e que fizeram ela acreditar que seu corpo só serve para sexo.

O uso de alguém apenas para fins sexuais é algo que vai totalmente contra a visão do ser humano que a Bíblia e o cristianismo apresentam. A dignidade do ser humano está em sua essência em ter sido criado por Deus como sua imagem e semelhança. Usar o corpo apenas como um objeto sexual vai contra a verdade de Deus, que criou o sexo para ser algo bom e prazeroso, tanto para o homem quanto para a mulher. Porém, o sexo deve ocorrer com segurança e intimidade, pois envolve muito mais do que apenas órgãos genitais em atrito. Isso já é um dos maiores fundamentos de que o tráfico humano, ou qualquer coisa semelhante é algo extremamente incorreto e pecaminoso.

Drogas

Outra parte da letra apresenta o limite do uso das drogas dentro desse contexto. Esse é outro problema dentro de uma visão cristã. Fugir da realidade é simplesmente abandonar seu domínio próprio e negar a verdade da criação de Deus. Essa realidade foi criada por Deus, mas nosso
pecado fez dela algo cruel. Qualquer coisa que seja usada para fugir da realidade pode ser um pecado, inclusive cultos que evocam algo mais místico do que o evangelho. Outro pecado é dar motivos para alguém querer fugir desse mundo.

O tráfico humano é uma coisa cruel, que tira do indivíduo sua dignidade, e o coloca em uma posição de exploração. Essa exploração pode ser sexual, emocional, financeira e muitas vezes religiosa.

novo single da banda Palankin chamado Alice
Essa exploração pode ser sexual, emocional, financeira e muitas vezes religiosa.

Um conforto a quem precisa

Porém a letra de Alice não é apesar uma apresentação de toda crueldade que envolver o tráfico humano. A música trás um conforto para quem passa ou passou por essa situação. Pessoas que são violentadas costumam perder sua identidade e sua dignidade, suas experiências acabam definindo quem elas são. Porém, as coisas não devem ser dessa forma. No refrão da música é dito:

Eu sei quem você é
Eu sei porque nasceu

A identidade de alguém não deve ser definida pelas violências que sofreu. Muitas pessoas podem não saber quem realmente são, mas Deus sabe. Algumas pessoas podem pensar que nasceram para sofrerem e de serem usadas pelos outros. Mas isso não é a verdade. A identidade de uma pessoa está além de seus atos, além de como a tratam. Apenas em Deus é possível encontrar a verdadeira identidade. Paulo fala em Gálatas 3: 28:

“Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus”

Todos que estão em Cristo tem sua identidade definida por Ele. Qualquer coisa que tenham feito com você, e qualquer coisa que tenha dito sobre você, não deve definir quem você é. Em Cristo, você é salvo. Apesar de termos uma natureza pecaminosa, a identidade em Cristo se sobressai
sobre isso.

Que a banda Palankin continue trazendo essa realidade à tona, e que as igrejas estejam mais atentas a crueldade que o pecado causou no mundo, e em como devemos ser agentes de transformação diante disso tudo.

Ouça Alice da banda Palankin